Exercícios intensos podem causar problemas graves em mulheres

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As mulheres tomaram conta do mundo da corrida (Foto: Antonio Lima/Semdej)

A abordagem de temas relacionados aos problemas decorrentes da prática de atividades físicas deve ser sempre muito cuidadosa. Nunca devemos atemorizar quem faz ou pretende fazer exercícios. A prática de atividades físicas deve ser sempre estimulada, pois seus benefícios para a saúde e qualidade de vida são absolutamente inquestionáveis.

O que devemos sempre proporcionar são informações para que se evitem problemas decorrentes de excessos ou condutas inadequadas que possam prejudicar a saúde do praticante. Muitas vezes, estes problemas acontecem exatamente por falta de informação ou pela não valorização de algum sinal do corpo que estaria indicando que alguma coisa está errada.

Um desses problemas diz respeito à saúde da mulher. Em 1993, o Colégio Americano de Medicina Esportiva oficializou um termo que denominou um quadro de sinais e sintomas que se verificou ser cada vez mais prevalente em mulheres atletas, principalmente de esportes ou atividades mais intensas. O termo adotado foi a Tríade da Mulher Atleta.

O que é?

A prática de exercícios muito intensos pela mulher; e é importante que se caracterize que aqui estamos falando realmente de excesso; pode trazer um problema que inicialmente se caracteriza pela irregularidade do ciclo menstrual. Neste caso, a irregularidade estaria associada a um estresse provocado pelo excesso de exercício, detectado pelo sistema nervoso central numa área que controla a produção de vários hormônios denominada Hipotálamo.

Este estresse altera o mecanismo de controle dos hormônios femininos e consequentemente, torna o ciclo irregular, podendo até interromper a menstruação. É importante saber que esta irregularidade prejudica inclusive a fertilidade da mulher.

A irregularidade da produção dos hormônios femininos estrogênio e progesterona tem outras consequências. Um dos prejuízos decorrentes desta alteração é o impacto na densidade óssea. Quando o problema evolui, a mulher começa a ter perda de massa óssea podendo, portanto, desenvolver osteoporose mesmo em idade jovem. Este quadro é potencializado quando a mulher apresenta também uma redução muito acentuada da gordura corporal com índices inferiores a 15% de gordura. Em casos mais graves instalam-se distúrbios alimentares culminando com anorexia.

Tratamento e prevenção

Vale a pena enfatizar que o quadro grave com amenorreia (suspensão da menstruação), osteoporose e anorexia não é comum e quando instalado requer suspensão da atividade e tratamento hormonal. Entretanto, o sintoma inicial que é a irregularidade da menstruação é mais comum e representa exatamente o sinal de alerta que deve ser valorizado.

A natureza é sábia. O excesso cometido resulta em um sintoma que permite a prevenção do problema. Quando a mulher, que até então apresentava um ciclo menstrual regular, começar a apresentar irregularidades do ciclo associadas com a prática de exercícios mais intensos, a recomendação é reduzir a intensidade do exercício.

Na literatura científica, existem evidências de que o limite de segurança para evitar o problema é respeitar o limite de intensidade caracterizado pelo limiar anaeróbico que foi tema de coluna anterior (clique aqui e confira).

* As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Globoesporte.com / EuAtleta.com.

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