Rio Gravatá – Precioso Recurso? Ou Esgoto Eunapolitano?

1
4513
Esgoto a ceu aberto, o meio ambiente não vê isso

A visão da Terra como o “planeta azul” nos passa a impressão de que vivemos em um mundo com abundância de água. Sim, é verdade. Porém, a água que utilizamos para nossos afazeres diários, produção e, principalmente, para matar a sede, não é tão abundante assim como parece. E isso tem relação direta com as formas como lidamos com este importante recurso natural.
Exemplo disso, e não muito distante de nós, existe o Rio Gravatá, que possui um afluente no Bairro Colonial, que se estende até parte do Centro. O referido rio, por várias vezes foi revitalizado pelo poder público, por intermédio da Secretaria de Meio Ambiente, outras vezes, por parte da própria Veracel Celulose S/A, onde foi implantado um Parque Ecológico, em que a população eunapolitana (por um certo tempo) usufruiu de uma pista de cooper, quiosque, barzinho com som ao vivo, e quadra poliesportiva, um verdadeiro centro de lazer.

Tudo poluído, até quando?

Porém, com o passar dos anos, o descaso por parte do poder público, fizeram com que o local, passasse por mudanças drásticas.
Onde anteriormente era um verdadeiro pedaço do “Paraíso”, onde era possível encontrar aves raras, vegetação nativa, passeios aquáticos com pedalinhos, dentre outros, se tornou local preferido de meliantes, para uso de drogas e até mesmo esconderijo de bandidos; como relatam alguns moradores.
“Quando eles se escondem dentro desse matagal, a polícia, não os encontra” relata uma moradora.

Uma residencia cercada de cobras e lagartos

E pelo que foi observado e registrado por nossa equipe do Rota 51, a vegetação realmente é muito densa e elevada no que tange a ALTITUDE.

 

Voltando ao que se refere ao Rio Gravatá, infelizmente como diz um adágio popular: O que era “céu” virou “inferno”.

 

A poluição tira o gosto dos moradores

Conversando com alguns moradores, observamos a esperança no olhar de cada um, ao ver a imprensa presente no local, com a certeza de que suas reivindicações serão ouvidas, e obviamente este é o nosso objetivo, trazer a atenção do poder público, quiçá, da iniciativa privada, para o descaso com o valoroso Rio Gravatá.
Moradores relatam que há menos de duas décadas, as aguas do córrego do gravatá, era o local em que seus pais, realizavam seus afazeres domésticos, tais como: Lavar roupas, vasilhas, nadar, enfim, utilizar a agua para sua subsistência, porem hoje em dia, o que observamos é grande parte dos dejetos humanos, são lançados no rio.
Nossos relatos fotográficos deixam bem claro que a aparência, odor e coloração do rio evidencia que o local se tornou um verdadeiro esgotamento sanitário, e o pior, a população tem padecido de doenças provenientes a água suja e parada. Uma moradora, que foi entrevistada por nossa equipe, relata que os moradores por iniciativa própria, terceirizam serviços de capina, para tornar o local um pouco menos perigoso e desagradável.

Outros moradores relatam que em suas residências, colocam as chamadas “grades de proteção” para evitar que Cobras, Aranhas e outros animais peçonhentos adentrem e piquem os moradores de sua residência, alguns até mesmo já encontraram pequenos Jacarés, nadando no rio, principalmente em época de chuvas pluviais, onde a água se eleva de tal forma, que até mesmo o esgoto, com dejetos sólidos “fezes” chegam até o quintal de suas casas, causando um odor terrível e um transtorno irreparável. Enfim, é um caos.


Os moradores, tem uma imensa dificuldade até mesmo para vender os imóveis no entorno do Rio Gravatá, pois com a poluição do manancial e dos seus afluentes, o odor desagradável que emana do rio, e o risco de picada proveniente de animais silvestre, as pessoas se escusam de residir no local.

Com relação à disponibilidade de água, não podemos ignorar também a alteração do ecossistema local, e o desequilíbrio ambiental, em detrimento da poluição do afluente, pois com a proliferação de animais venenosos, como cascavéis, os sapos e algumas graças acabam desaparecendo em decorrência da cadeia alimentar, deste modo, a infestação de insetos se torna cada vez mais abundante, até mesmo o Aedes Aegypti. Unindo a falta de chuva ao processo de poluição deste recurso hídrico e de degradação ambiental, estamos esgotando a cada dia esse precioso serviço que a natureza nos oferece.

Essas informações mostram que no ritmo em que poluímos esse recurso, em poucos anos, o futuro dos bairros que são banhados pelo rio gravatá ficará insustentável. Precisamos de uma mudança de postura na utilização desse recurso. A aparente abundância de água não pode ser confundida com permissão para poluição. É necessária uma ação conjunta entre população, governos, e todos os setores da economia e meio ambiente, para mantermos a qualidade e quantidade de água potável, ainda encontrada no rio disponível para uso.

Fotos e texto: Alinne Werneck – jornalista  DRT 12541/Ba

 

COMPARTILHAR

1 COMENTÁRIO

  1. Tomei muito banho nesse córrego, na minha infância. Ali na baixada da Rua Presidente Médici, no Centro. Nas casas não havia água encanada e as pessoas utilizavam cacimbas, buracos abertos artesanalmente no chão, geralmente cobertas com tampões de madeira, por onde infiltrava água limpa. As donas de casa lavavam roupas e pratos no córrego e outros pescavam. Onde hoje é a Av. Norte Sul era uma grande manga, com muitos pés de pau-ferro (Madeira escura e muito dura, onde prego não entra) e muitas outras vegetações. Hoje, a palavra que mais descreve o Córrego do Gravatá, infelizmente, é ESGOTO.

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui