‘O céu está maravilhoso hoje’, diz marido de Ângela Maria no velório do corpo da cantora

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Cantora Angela Maria, em foto de 19 de maio de 1994 — Foto: Gilda Mattar/Estadão Conteúdo

“Ela teve uma parada cardíaca. Ela já estava bem fraquinha. Nós somos egoístas de queremos quem a gente ama ao nosso lado sempre. Mas foram 34 dias de sofrimento para ela”, assinalou o marido.

Segundo Daniel, Ângela Maria será enterrada ao lado de Cauby Peixoto. O jazigo que ela usará foi usado por Cauby, quando o cantor morreu há dois anos, emprestado pela família de Ângela.

“Ela vai ficar ao lado do marido musical dela. O céu hoje está em festa, o céu hoje está maravilhoso hoje”, disse Daniel, afirmando que Ângela cantaria “A noite do meu bem” para marcar esta data.

A cantora Angela Maria — Foto: Reprodução / Facebook

Artistas e outras personalidades lamentaram neste domingo (30) a morte de Ângela Maria. A cantora Elza Soares afirmou no Twitter: “Uma das maiores vozes do Brasil. Salva de palmas para essa rainha do rádio, que infelizmente acaba de sair de cena. Brilhe nos palcos do céu, minha querida.R.I.P Ângela Maria.

A cantora Alcione se pronunciou pelo Instagram: “foi-se a minha grande referência como cantora. Aprendi muito ouvindo Ângela Maria cantar e, agora, junto com a saudade, ficam meus eternos agradecimentos por todas as coisas lindas que ouvi em sua voz”.

O cantor Agnaldo Rayol esteve no velório para se despedir da cantora e amiga.

Angela / Murilo Alvesso

“Não é fácil. Sempre fui fã de Ângela Maria, desde que me conheço como cantor. Depois tive esse grande privilégio de privar da amizade da Ângela. Cantamos várias vezes juntos, fizemos muitas coisas juntos, viajamos e tudo mais. Ângela Maria vai deixar um legado como poucos na história da música popular brasileira, porque sem dúvida alguma foi uma das maiores cantoras que o Brasil já ouviu em todos os tempos”, afirmou.

“Ângela Maria tem uma história fantástica, uma voz inigualável. Eu não digo foi, eu digo é, porque eu tenho na minha cabeça que o artista não morre. Ele permanece através da sua obra, nos seus discos, livros e filmes. Ângela Maria foi e continuará sempre grande, enorme uma grande estrela da música popular brasileira, que não se apaga, a luz de Ângela Maria permanecerá no céu dos nossos corações, pra sempre”, completou Rayol.

 

Nome artístico

Abelim Maria da Cunha nasceu em Macaé, no Rio de Janeiro. Ela passou a infância em Niterói, São Gonçalo e São João de Meriti. Filha de pastor protestante, desde menina cantava em corais de igrejas.

Ela foi operária tecelã e inspetora de lâmpadas em uma fábrica da General Eletric, mas queria ser cantora de rádio apesar da oposição da família.

Por volta de 1947, começou a frequentar programas de calouros e passou a usar o nome Ângela Maria, para não ser descoberta pelos parentes.

Apresentou-se no “Pescando Estrelas”, de Arnaldo Amaral, na Rádio Clube do Brasil (hoje Mundial); na “Hora do Pato”, de Jorge Curi, na Rádio Nacional; no programa de calouros de Ari Barroso, na Rádio Tupi; e do “Trem da Alegria” – programa dirigido por Lamartine Babo, Iara Sales e Heber de Bôscoli, na Rádio Nacional.

 

Era do rádio

Em 1948, começou a cantar na casa de shows Dancing Avenida, onde foi descoberta pelos compositores Erasmo Silva e Jaime Moreira Filho. Eles a apresentaram a Gilberto Martins, diretor da Rádio Mayrink Veiga. Após um teste, ela começou carreira na emissora.

Em 1951, gravou pela RCA Victor os sambas “Sou feliz” e “Quando alguém vai embora”. No ano seguinte, sua gravação do samba “Não tenho você” bateu recordes de venda, marcando o primeiro grande sucesso de sua carreira.

Quando decidiu tentar a carreira de cantora, Ângela Maria abandonou os estudos, o trabalho na indústria e foi morar com uma irmã no subúrbio de Bonsucesso.

 

Princesa e rainha do rádio

Durante a década de 1950, atuou intensamente nas rádios Nacional e Mayrink Veiga, como a estrela de “A Princesa Canta”, nome derivado de seu título de “Princesa do Rádio”, um dos muitos que recebeu em sua carreira.

Em 1954, em concurso popular, tornou-se a “rainha do rádio”, e no mesmo ano estreou no cinema, participando do filme “Rua sem Sol”.

Morre em São Paulo, aos 89 anos, a cantora Ângela Maria

‘Sapoti’

Encantado pela voz de Ângela Maria, Getúlio Vargas lhe deu o apelido de “Sapoti”. “Menina, você tem a voz doce e a cor do sapoti”, teria dito o presidente.

Ainda durante a década de 1950, vários de seus sambas-canções viraram sucessos, como “Fósforo queimado”, “Vida de bailarina”, “Orgulho”, “Ave Maria no morro” e “Lábios de mel”.

Na segunda metade da década de 1960, foi a vez de “Gente humilde” ser destaque nas paradas de sucesso.

Em 1982, foi lançado o LP Odeon com Ângela Maria e Cauby Peixoto, primeiro encontro em disco dos dois intérpretes. Em 1992, a dupla lançou o disco “Angela e Cauby ao vivo”, após o show Canta Brasil.

Em 1996, foi contratada pela gravadora Sony Music e lançou o CD “Amigos”, com a participação de vários artistas como Roberto Carlos, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Chico Buarque, entre outros. O trabalho foi um sucesso, celebrado em um espetáculo no Metropolitana (Claro Hall), no Rio de Janeiro, e um especial na Rede Globo. O disco vendeu mais de 500 mil cópias.

TEXTO E FOTOS: GLOBO.COM

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