Alléxia: a modelo que saiu da Praça da Liberdade para desfilar em Paris

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Por Rose Marie

14 de novembro de 2019 00:30

Alléxia de Jesus – Foto: Reprodução das redes sociais

Muitos de vocês nunca ouviram falar em Alléxia de Jesus, 21 anos, modelo, eunapolitana que saiu da Praça da Liberdade para desfilar a coleção Verão 2020 da Louis Vuitton, na França, como top-model exclusiva da grife. O desfile aconteceu no início de outubro, durante a Semana de Moda de Paris. Veja aqui https://ffw.uol.com.br/desfiles/paris/verao-2020/louis-vuitton/1740344/

Há uma semana na cidade, ela veio visitar o pai, que está doente, e aproveita para rever amigos e parentes. Andar por Eunápolis, reencontrar os colegas de infância e da adolescência, quando estudou nas escolas Josaphat Marinho, Frei Calixto, Monte Pascoal e também para curtir o namorado [“meu bebê Agnelo”] enquanto aproveita para descansar e aproveitar o final de ano junto à família.

Foto de Sasha Munaev

A modelo tem como agência mãe a Prime Models. Alléxia hoje mora no Morumbi, em São Paulo, onde divide um apartamento com outras contratadas da agência. Com bastante bom humor, ela recebe a reportagem e conta que já foi alvo de bullying na escola, por ser muito magra.

“Eu era uma pessoa qualquer, magra demais, muitos apelidinhos chatos, mas a gente vai relevando, até porque eu sempre tive muitos amigos e nunca sofri com isso”. Ao contrário, ela curte o passado recente e diz que apesar de nunca ter sonhado com as passarelas [“eu queria fazer faculdade, ser enfermeira”] “ainda não caiu a ficha” para entender a projeção que sua carreira vem tomando.

GRATIDÃO

Alléxia resume o que está vivendo com uma única palavra: Gratidão. Nascida e criada na Praça da Liberdade, uma infância tranquila, ao lado de mais dois irmãos, ela confessa que era “um pouco espoleta” e que nunca pensou em ser modelo, apesar de participado de um desfile no Dia da Consciência Negra, representando a escola. “Cheguei a ganhar um sabonete”. Diverte-se.

DESCOBERTA

Paris Fashion Week no início de outubro, na Semana de Modas na França: Foto: Reprodução das redes sociais

“Às vezes as pessoas não acreditam que uma menina de uma cidade pequena vai ganhar as passarelas no Brasil ou desfilar na Europa. Era algo muito distante para uma pessoa da minha idade e vinda de onde eu vim”. Alléxia lembra que entre as poucas pessoas que a incentivou havia uma professora de Física, Thalita (entre outras pessoas)que dizia “Alléxia você tem que tentar, você vai longe”.

Até que um dia a equipe do Diego Comarela chegou a cidade para fazer novas descobertas e selecionar algumas meninas para se apresentar em uma convenção em Salvador, onde elas seriam apresentadas para outras agência brasileiras. Esse workshop era pago, por conta da passagem e da hospedagem, mas ela contou com o apoio dos familiares e do namorado, um dos principais apoiadores.

Em Salvador ela foi chamada pela Agência Prime que logo fechou contrato. “Comecei nesta agência e logo em 2018 já estava participando do São Paulo Fashion Week”. Modelando há três anos, Alléxia coleciona um book com grandes trabalhos e desfilou para nove grandes marcas nacionais e internacionais, culminando com a badaladíssima Louis Vuitton, na Semana de Moda de Paris, que aconteceu no dia 3 de outubro passado.

Vivendo o sonho, para uma jovem de 21 anos, ela revela que espera ir mais longe, sim. “Eu ainda tenho muitos planos de vida e vontade de desfilar para várias marcas, fazer Chanel, Miu miu, Saint Laurent, Balmain que são marcas ícones para uma modelo em qualquer parte do mundo”, conta Alléxia, que antes de virar modelo queria ser enfermeira.

QUEBRANDO BARREIRAS

Paris Fashion Week

Para a jovem modelo, “o céu é o limite”, porque ela deseja continuar enfrentando a vida com muita humildade, mas sem nunca querer estar acima dos limites. Alléxia surge em um momento em que a moda tem valorizado a beleza negra cada vez mais e a urgência por mais diversidade e representatividade faz com que marcas, não apenas no Brasil, mas no mundo, aumentem sua presença na passarela e campanha.

Foto: lang Hugo

“Hoje em dia sim, o mercado da moda está mais aberto para a diversidade, no entanto, ainda existe racismo no mundo da moda. Eu sei que muitas portas estão mais abertas, mas a gente ainda sente muita dificuldade”. Pontuou.

Mas Alléxia, essa eunapolitana que pegou a palavra ‘Liberdade’ do local onde nasceu e agarrou como um escudo para ganhar o mundo das passarelas e da beleza, vai driblando as dificuldades. “É importante que as pessoas nos vejam e enxerguem nosso potencial. E fica um recado: meninas, acreditem nos seus sonhos. Façam como eu. Ninguém acreditou em mim não, mas eu acredito em vocês.” Resumiu.

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