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Matou o desafeto a pauladas, cortou o lábio inferior da mulher a dentadas, e acabou levando 14 anos e 3 meses de cadeia…

Paulo Barbosa Por Paulo Barbosa
25/11/2019
in Eunápolis, Justiça, Notícias
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…ele é Adeilton Martins dos Santos Carvalho, Mais conhecido como “BUCHECHA”, ele tinha uma companheira e conviveu com ela algum tempo, depois se separaram, porém como o amor é mais forte, Adeilton voltou a se relacionar com Lucinéia Maciel Delfino, mas durante o tempo em que estiveram separados, Lucinéia teve um caso com Abel Ramos da Silva, motivo pelo qual se desencadeou  a desavença entre os 3, para se vingar de Lucinéia, fingindo beija-la, Adeilton acabou mordendo o lábio inferior da mulher, decepando-o totalmente, e com Abel, de posse de um pedaço de árvore, Adeilton bateu nele, até que ele morresse com toda a massa encefálica fora da cabeça, totalmente destroçada pelas pancadas recebidas. Preso, confessou os delitos e, por determinação judicial, ficou preso nos últimos 3 anos, o crime aconteceu entre o Atacadão e a Orvel Veículos, no dia 04/10/2016, perto de uma serralheria, onde todos se acomodavam, já que todos eram moradores de rua, e faziam também uso de drogas e bebidas alcoólicas.

Chamado, o SAMU, constatou-se logo a, morte de Abel, e Néia como era chamada, foi para o HRE e devido á gravidade do ferimento teve de ser levada para Porto Seguro, lá recebeu todo tratamento e desapareceu, não sendo encontrada até hoje. Porém o calvário de Adeilton começa agora.

Houve um mutirão carcerário em Eunápolis e vários detentos foram liberados, mas devido a sua periculosidade Adeilton ficou e, em nenhuma instancia, onde foi pedida a sua soltura, esta foi atendida, por isto, estava preso até o seu julgamento hoje 25/11, que começou por volta das 09 hs e terminou pouco mais das 20hs.

Depois de contada a história, começaram os debates, iniciando pelo promotor Dr. João Alves, Dr. João quando vai a fonte, não sai sem beber água limpa de jeito nenhum e, usando todos os argumentos do processo, pois a promotoria não pode sair do processo, e só pode usar o que contém os autos, dizendo que Abel foi morto enquanto dormia, Adeilton, usou um tronco de madeira em “V”, ou seja, dois galhos e desferiu pancadas na cabeça da vítima até mata-lo, Dr. João, procurou dentro do processo mostrar aos jurados, que desta vez foi formado por 6 senhoras e 1 homem, a alta periculosidade de Adeilton, mostrando que ele, é altamente nocivo a sociedade, pois tendo decepado o lábio inferior da ex e, depois atual companheira, cujo pedaço de carne não foi encontrado, causando à Néia, dificuldades em se alimentar, falar e talvez por isto tenha sumido e como moradora de rua, jamais teria dinheiro para uma reparação labial. Todos os depoimentos em juízo, foram acompanhados pelo MP, Defensoria Pública e do juiz e, em nenhum momento, Adeilton negou ter cometido os crimes. Dr. João se cercou de todos os lados, mostrando que inclusive não houve “legítima defesa”, pois com a vítima dormindo, simplesmente foi massacrada sem direito a se defender, usando seu tempo, Dr. João entregou aos jurados o direito de fazerem justiça.

Depois do almoço, foi a vez da defensoria pública, na pessoa do defensor Victor Rego, que também dentro do processo, que buscou mostrar que a história contada, não é a mesma que ele ia mostrar ao corpo de jurados. Victor Rego, disse que na realidade, Abel não foi morto dormindo, mas sim depois de ser agredido por Adeilton, quando este foi tirar satisfações, sobre o envolvimento com Néia, e de posse de um pedaço de pau, Adeilton esfacelou a sua cabeça com o pedaço de pau a saber que quando, ocorreu o caso entre Abel e Néia, Néia não era mais a mulher de Adeilton, não sendo isto, uma traição, e que o caso do lábio inferior de Néia, n~]ao havia sequer uma prova da agressão, e que esta poderia ser apenas uma leve mordida, enriquecida com outros detalhes. Victor Rego, disse que a promotoria, não trouxe provas e nem testemunhas e, que Adeilton, não poderia pagar por isto, pois por falta de provas, apenas com relatos de outras pessoas, isto não constituiria um crime de agressão de lesões corporais graves, e que o crime por ele cometido contra Abel, constituindo desta forma, um homicídio privilegiado, pois este foi cometido sob forte emoção, sendo assim, um crime simples. Victor Rego disse também que com a ausência de materialidade e falta de provas, a lesão corporal não existiu pois nem existe um laudo pericial.

Adeilton, chegou a escreve uma carta para o Dr. Otaviano, pedindo que este ajudasse a resolver sua vida, fazendo citações do CPC e da Bíblia, a saber que, por ter poucos conhecimentos didáticos, embora com alguns erros ortográficos, a carta, pelos detalhes específicos, teve uma ajuda substancial em sua elaboração.

Como haviam arestas a serem aparadas, Dr. João veio para a réplica, com novos argumentos, dando conta de que, não houve “forte emoção” pois Adeilton ficou sabendo em um dia que Néia, havia tido um caso com Abel, e no outro dia, houve o crime, ou seja, foi um crime premeditado e, que, os relatos sobre a mordida de Adeilton, está nos autos, pois os policiais que foram realizar a as investigações e a prisão de Adeilton, relataram o fato da mordida, o que comprovava a existência desta agressão. Na tréplica, Victor Rego, pediu o afastamento das qualificadoras, por injusta provocação, quando o réu perguntou se Abel tinha tido um caso com sua esposa, este foi agredido brutalmente pela vítima, portanto um homicídio privilegiado.

Depois de algumas ponderações entre a acusação, defesa e o presidente do júri, Dr. Otaviano leu os quesitos para votação e foram todos para a sala secreta, onde os jurados foram votar os quesitos preparados para este julgamento.

Na volta, Dr. Otaviano leu todas as formalidades e prolatou a sentença, Adeilton vulgo “Bochecha”, de acordo com a votação, recebeu a sentença de 14 anos e 3 meses de reclusão e o pagamento do processo, por outro lado, o defensor Victor Rego, pediu a palavra e disse que, por não concordar com a sentença, fez um recurso oral, e depois irá apresentar por escrito, seu entendimento. Adeilton, que é de Camacã, não tem parentes na cidade e foi direto para o presídio de Eunápolis.






















Vejam no vídeo, a sentença proferida pelo juiz presidente Dr. Otaviano Sobrinho:

Paulo Barbosa

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