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Peixes, frutos do mar e pescados contaminados, estão causando sérios problemas de saúde.

Paulo Barbosa Por Paulo Barbosa
21/11/2020
in Eunápolis, Meio Ambiente, Notícias, Saúde
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Gabriela Ingrid

Do VivaBem, em São Paulo

14/11/2020 10h22

A Sesab (Secretaria da Saúde do Estado da Bahia) registrou um novo caso da doença de Haff nesta sexta-feira (13), totalizando 13 notificações em 2020. Desde agosto deste ano, habitantes dos municípios de Entre Rios, Salvador, Camaçari e, agora, Dias D’Ávila foram diagnosticados com a doença.

A Secretaria confirmou que houve relatos de ingestão de pescado. Nos primeiros três casos, os pacientes consumiram um peixe conhecido como olho-de-boi e, aproximadamente sete horas depois, começaram a apresentar sintomas de fortes dores no corpo, tontura, náuseas e fraqueza.

 Mesmo que ainda não se saiba a origem exata da doença de Haff, pesquisadores notaram que todas as pessoas diagnosticadas consumiram algum animal que vive na água, muitas vezes doce. Acredita-se que o alimento ingerido tenha sido contaminado com alguma toxina, que não foi identificada. Como geralmente peixes herbívoros estão relacionados aos casos, as toxinas podem estar na vegetação, em algas ou outros micro-organismos.

A possibilidade de uma bactéria foi levantada por especialistas, mas considerada pouco provável, já que os peixes foram cozidos ou fritos —processos pelos quais o micro-organismo não sobreviveria. Entretanto, estudos do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) mostraram que uma substância (lipídeo apolar) induziu sintomas semelhantes em ratos, e ela não é inativada pelo cozimento.

“Também existem algumas teorias sobre a toxina que causa a agressão aos músculos ser a paliotoxina. Ela é um vasoconstritor intenso e é considerada uma das substâncias não proteicas mais venenosas. É encontrada em corais, dinoflagelados e, por acúmulo pela alimentação, em vários peixes fluviais e marinhos, como pacu, olho-de-boi e garoupas. Pode ser encontrada também em lagostins, caranguejos e siris”, diz Vidal Haddad, pesquisador que trabalha com acidentes e intoxicações por animais aquáticos e professor associado da Faculdade de Medicina da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Botucatu.

Segundo ele, a paliotoxina é produzida por certas bactérias, mas não foi identificada nos doentes. “Os fatos conduzem para isso, pois todos os animais acima já foram associados à Haff no Brasil e no mundo. Entretanto, enquanto a toxina não for isolada, existe uma teoria de que um enterovírus poderia causar a doença”.

Xixi cor de café

Os sintomas da doença de Haff costumam aparecer entre duas e 24 horas após o consumo de peixe ou crustáceos cozidos. Os pacientes sentem extrema dor e rigidez muscular, dor torácica, falta de ar, dormência e perda de força em todo o corpo, além da urina cor de café.

Ao que tudo indica, os músculos, quando lesionados, liberam uma substância chamada mioglobina no sangue, o que dá a cor escura à urina e pode prejudicar os rins —as pessoas também podem ter insuficiência renal.

Para chegar ao diagnóstico, os médicos podem pedir exames. No entanto, por não se saber exatamente o que causa a doença, o mais importante será ouvir o histórico dos pacientes. Por ser pouco conhecido, identificar o problema pode ser difícil, mas a recomendação é que um profissional de saúde seja procurado assim que os sintomas surgirem.

O tratamento é feito com base nas consequências que a doença deixou, amenizando os sintomas como dores e falta de ar e auxiliando a situação dos rins com aparelhos, quando necessário. Em casos mais leves, os indícios da síndrome somem em alguns dias, sem a necessidade de internação ou uso de aparelhos médicos. Porém, ainda assim, a avaliação médica é importante. Como a doença evolui rapidamente e pode causar insuficiência renal, se não adequadamente tratada, pode levar ao óbito.

Desde dezembro de 2016, quando surgiram os primeiros casos, a Bahia registrou uma única morte em virtude da doença de Haff, ocorrida em 2017.

Paulo Barbosa

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