Por Fabio Del Porto
Muitos governantes acreditam piamente que Cultura é algo supérfluo, sem valor político, e que não contribui em nada para o desenvolvimento de uma cidade, de um estado ou de um Pais. Isso se vê nos de planos de governo e nas políticas públicas de estados e municípios e por fim, do Brasil como um todo.
Ao invés de escolas capazes de formar cidadãos, centros culturais onde se apresentam exemplos de vida a serem seguidas, ou mesmo uma simples quadra de esporte onde jovens possam bater um “baba”, o que vemos são cadeias lotadas, presídios que são verdadeiras fabricas de marginais e cemitérios cada vez mais abarrotados do que seria nosso futuro.
Com foco aqui na nossa região do Território da Costa do Descobrimento (TCD), conta-se nos dedos as cidades que realmente tratam a cultura como algo ‘importante’.
Alguns eventos são tratados como cunho cultural, mas são notadamente eventos puramente comercial e promocional para a administração que os promovem, não podem ser tratados como culturais dentro de um entendimento amplo do que se compreende como tradição, educação e fomento.
Com isso vivemos em dias em que o país e nossas cidades estão dominadas por corruptos e pelo sistema autocrata. O povo, o cidadão, o pagador de impostos servem apenas para dar votos.
Então, o não investimento em educação e na cultura resulta no esfacelamento de nossa juventude e na destruição a conta-gotas, da base de nossa sociedade, a família. E por tanto o crime organizado toma conta de boa parte da nossa economia e da vida de nossa juventude, que sem se conhecer busca exemplos, e estes nem sempre resultam em algo positivo.
Segundo dados do Mapa da Violência em números absolutos, na Bahia mata-se, em média, 5.450 pessoas por ano, algo como 36 homicídios por 100 mil habitantes. A maioria absoluta destetes são jovens.
E como no Brasil há uma predileção de governos por fazer o país andar na contramão, recentemente, uma medida provisória tornou opcional o estudo de Artes, o que torna a frase: Em lugar onde não há atividades culturais, a violência vira espetáculo, mais real do que nunca.
É a violência das ruas, das câmaras de vereadores. É a violência de nosso legislativo, de nossa mídia e a violência contra a nossa base cultural.
Estamos vivendo sendo dominados por corruptos, nossa juventude se esvai pelo ralo da sociedade, em muitos bairros o medo é a lei e pra completar a cereja do bolo a nossa “família” está virando piada na mídia.
A professora de Educação da Unicamp, Márcia Malavassi, atribui a esse cenário o sucateamento do sistema educacional-cultural brasileiro: “Nós temos visto a educação brasileira sendo sucateada, sendo deixada em segundo plano”.