Amanhece o dia 25 de dezembro…
As crianças ainda visualizam os presentes que ganharam, a casa na desordem mais ordeira, impossível.
A água azul da piscina é um convite para o banhar-se, relaxar…
Visualizo minha netinha linda, com suas esteriotipias, concentrando-se para adentrar aquele recinto que tanto fascina os autistas: ambientes com água!
A mãe coloca seu maiôzinho e ela se joga… Tranquilidade de todos, pois ela sabe nadar…
Acesso as redes sociais e deparo-me com uma notícia que impacta e corta o coração: “Menino de 11 anos é encontrado sem vida no Parque Gravatá”. Identifica-se por um cordão de girassol usado no pescoço. Nível 3 de Suporte do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O julgamento começa sem pena nem dó:
Mãe Solo com apoio de uma irmã; como deixou a criança sozinha; o local não tem vigia, falta câmera…
A falta de informação e empatia, isto é, de colocar-se no lugar do outro é impressionante e revoltante.
O que coube essa mãe, que tem que trabalhar para sustentar seu filho, ela faz. Colocá-lo numa escola, procurar um atendimento educacional especializado, ela fez…
Mas o que?
Rede de apoio? Sua irmã… Bastava? Não.
Mas o que essa mulher mais poderia fazer, meu Deus?
O Sistema é bruto e podre. Que políticas públicas são normatizadas e que dão sustentação educacional, social e afetiva para essas famílias, crianças e jovens?
Quando alguém se dispõe a tomar a frente para discutir e ampliar as políticas da inclusão, torna-se disputa eleitoreira e partidária de pessoas que só olham para seus próprios umbigos, num desespero por mais e mais e esquecem que 1 dia, 1 mês, 7 meses de um simples Centro desarticulado, faz toda a diferença na vida desse grupo de pessoas…
O Parque poderia tá rodeado de câmeras e daí?
O Parque poderia ter o vigia? Sim.
Mas se ele não tivesse conhecimento ou entendimento da situação, o que aconteceria?
Aconteceria do mesmo jeito… E o comprometimento da família?
Bem, poderia colocar cadeado em todas as portas, não é isso? Quem vive e convive com a deficiência, irá entender do que estou falando…
Quem não, julga, ofende, maltrata , em nome do sentimento de culpa que o domina, pois quando tem possibilidade de ajudar, renega. Afinal, o problema é do outro…
Pra você, mães, famílias atípicas: Estamos juntas!
Em 2026 com mais união, mais força, mais laços atados, esperamos de coração termos nossa primeira dama, junto a nós, ouvindo quem de fato entende e quer os direitos de todos nós, como fato.
Cláudia Oliveira
